A igreja no debate da Cura Gay

Projeto polêmico movimentou o meio evangélico no ano de 2013
Deputado Federal João Campos (PSDB), autor do projeto de lei intitulado de "Cura Gay". Foto: Diário da Manhã.
­­Um assunto que recentemente levantou polêmica envolvendo mais uma vez o meio evangélico e os homossexuais, foi o projeto de lei conhecido como “cura gay”. A proposta, de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), foi aprovada em junho de 2013 pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, presidida pelo pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP).

Assim que divulgada, militantes da comunidade LGBT saíram às ruas contra o projeto e chamaram a atenção da mídia de todo o país. A proposta provocou polêmica porque suspenderia dois trechos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, de 1999. Uma das publicações afirma que “os psicólogos não podem colaborar com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades”. Em julho, devido  a pressão interna no partido, o deputado João Campos arquivou o projeto, que nem chegou a ir para a Câmara dos Deputados.

No meio evangélico, a pauta gerou controvérsias e dividiu opiniões entre os líderes religiosos. Para o Pastor Gleidson Ribeiro da Igreja Gera Vida de Aparecida de Goiânia, a abordagem do tema aconteceu em momento inoportuno e isso acabou alimentando uma guerra desnecessária: “O projeto visa garantir uma liberdade profissional ao psicólogo. Até ai tudo bem. Porém, apresentar este projeto naquele momento foi um erro e acabou incendiando ainda mais uma guerra entre os evangélicos e os homossexuais’’, frizou.

Já o pastor líder da Igreja Caminho da Graça e também psicólogo, Caio Fábio, defende que o projeto é totalmente sem sentido e declara: “Primeiro: desde quando a Psicologia cura gay? Segundo: desde quando a Psicologia cura qualquer coisa? Terceiro: desde quando a Psicologia oferece qualquer coisa que não seja auto-compreensão?”. As declarações foram feitas na página oficial da sua igreja no Facebook

O pastor aproveita ainda para criticar o deputado Marco Feliciano, e ataca: “Para o Feliciano é importante 'lavrar esse tento' do ponto de vista do que isso significa de 'testemunho' dele para o seu 'eleitorado' de pentecostais Talibãs.Citado por Caio Fábio, o pastor e deputado Marco Feliciano, líder da Igreja Tempo do Avivamento, é um dos maiores defensores da aprovação do projeto. Em comunicado ao público e à imprensa, ele afirmou que o termo “Cura Gay” foi criado para desmoralizar o projeto e citou as verdadeiras  intenções da pauta:

“O projeto tem como objetivo discutir em sua totalidade sofrimentos psíquicos gerados por não aceitação pelo indivíduo de sua sexualidade, seja ele heterossexual, homossexual ou bissexual. Significando que se a pessoa não estiver satisfeita com sua orientação, condição e ou opção, pode tentar, pelo menos, mudar se isso for o seu desejo e vontade”. O pastor ainda declarou no Twitter, em Julho de 2013,  que não desistiu do projeto e que existe a possibilidade do texto voltar a ser colocado em pauta em 2015. "O PDC não foi arquivado, mas retirado, e pode voltar", frisou.

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